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Na Trincheira da Verdade: meio século de jornalismo na Amazônia (Coedição com a FAP)

Na Trincheira da Verdade: meio século de jornalismo na Amazônia (Coedição com a FAP)

Lúcio Flávio Pinto

R$ 40,00

Lúcio Flávio escreveu e continua a escrever muito. Sua tribuna é a imprensa, de onde lança sistematicamente artigos pontuais, contundentes, marcados pelo senso de oportunidade, pela preocupação de informar o público e pela indignação cívica. Publicou diversos livros, a maioria dos quais dedicados ao Pará e à Amazônia, principal razão de ser de seu Jornal Pessoal. Como ele mesmo observou certa vez, os livros reúnem “capítulos da história recente do Pará que jamais teriam sido registrados se não existisse este jornal”. De sua pena sai um jornalismo investigativo da melhor qualidade, feito no calor da hora, carregado de causas nobres no momento mesmo em que os fatos aconteceram. Um exemplo de jornalismo verdadeiramente independente, que cumpre sua missão mais nobre, a de auditar e fiscalizar o poder.

Marco Aurélio Nogueira
Professor titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp)


Lúcio Flávio pinto seria um notável jornalista em qualquer circunstância. Na grande imprensa ou num meio alternativo, no papel, que tanto preza, ou na algaravia das redes digitais, sua opinião encontraria um modo de chegar até nós, convidando-nos a pensar com liberdade sobre a variedade espantosa de temas, livros e autores que examina em sequência desafiadora e nada convencional.

Só que, como mostra a presente reunião de textos sobre seu ofício, Lúcio Flávio não é um personagem comum. O homem e seu destino se encontraram há décadas e constituíram um singularíssimo ponto de vista sobre aquilo que, sem exagero algum, podemos chamar de um dos problemas centrais de nosso tempo. Lúcio Flávio é, acima de tudo, um “amazônida”, um intelectual com alto sentido de sua profissão a quem coube testemunhar o dantesco processo de integração do “Brasil tardio” por parte de seu voraz vizinho: o Brasil agressivo dos colonizadores, dos “fazedores de deserto”, dos incapazes de compreender a riqueza inaudita que só se descortinará para aqueles que decifrarem o enigma de floresta e água que dá vida à sua Amazônia.

Este é o mundo de Lúcio Flávio, que ele generosamente compartilha. Sua cidadela é o Jornal Pessoal, caso exemplar de jornalismo reduzido ao osso: a tal faca só lâmina, na concepção do poeta. O editor do JP menciona como inspiração o I.F. Stone's Weekly, que projetou o avesso da América nos anos 1960 e 1970 do século XXI. No entanto, ao folhear pela primeira vez o jornalzinho, lembrei-me quase imediatamente de Cipriano Barata e suas “sentinelas da liberdade”, editadas, segundo a indicação irônica do heroico jornalista, nas “guaritas” dos variados cárceres e quartéis em que periodicamente o absolutismo costumava confiná-lo no início do Brasil independente.

Em sua própria guarita, Lúcio Flávio aferra-se a valores clássicos, mas atualíssimos. Armado de “sismógrafo” imaginário, parte em busca de fatos que lhe possibilitem elaborar uma versão forte da verdade. O objetivo é participar da construção de uma opinião pública esclarecida, que possa interferir nos acontecimentos terríveis que ele aponta com doses iguais de rigor e paixão. Um Brasil que finalmente dê certo, coeso internamente e aberto aos bons ventos do mundo, só se realizará se quiser ouvir as vozes como as que, apesar de tudo, vêm desta e de outras guaritas semelhantes.

Luiz Sérgio Henriques
Ensaísta e tradutor

Formato: 15,5x23cm
Ano: 2017
Págs.: 288


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