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Diálogos Gramscianos Sobre o Brasil Atual (Coedição com a FAP)

Diálogos Gramscianos Sobre o Brasil Atual (Coedição com a FAP)

Luiz Werneck Vianna (entrevistas selecionadas por Paula Martins Salles)

R$ 32,00

Nesta coletânea o leitor irá se deparar com a reflexão, em ato, de um de nossos maiores intelectuais. Longe da impotência reflexiva que esteriliza as nossas conhecidas divisões, Luiz Werneck Vianna reafirma, com uma verve que associa a visão de longo prazo e a face das conjunturas, duas de suas paixões: o Brasil e a democracia. Paixões que alimentam a lucidez profética de quem não aceita para o país outro futuro senão uma vida democrática cada vez mais densa e produtiva.

Rubem Barboza Filho
Professor Titular de Ciência Política da UFJF

Azes, como Luiz Werneck Vianna, encorajam que se aventura a ler o jogo da política. Sua palavra mantém com os ventos de cada tempo uma relação de adubamento recíproco. Semeia, com ânimo que parece vir dos intestinos, tremores intelectuais contra toda resignação e toda preguiça mental. Por outro lado, prepara nossos espíritos para, através da compreensão, manterem-se serenos e lúcidos perante tempestades originárias do mundo de pessoas e coisas que alimenta o seu pensamento.
Werneck consegue pensar neste duplo (dialético) sentido, porque sua razão confia no mundo real. O contato animado com tudo o que é mundano protege seu pensamento de tornar-se refém de uma razão doutrinária ou cética. Só isso já faria seu pensamento ser político. Some-se este tônus intelectual ao compromisso com a democratização da sociedade e ao bem-estar por ser brasileiro e a orientação se faz completa. Lega-nos um modo político de pensar que nos deixa em paz com o que somos e inquietos quanto ao que podemos vir a ser. Pensamento descendente de Armênio Guedes e precursor de ainda ignorados sábios brasileiros do futuro.
Ler Werneck é viagem que nos liberta da mesquinhez hegemônica na nossa esquerda, sem navegar na nostalgia da esquerda que poderíamos ter e não tivemos. Ciente do que passou, curiosa com o que passa e esperançosa quanto ao que passará, a orientação é olhar à frente sem se deter numa peleja por rótulos geográficos. O centro, para esta esquerda que ele nos sugere, não é a geografia dos assentos. O centro são os acentos, pontos, parágrafos, outros de seguimento e, principalmente, vírgulas de uma história sem marco zero ou ponto final.
Tal se demonstra nesta coletânea de entrevistas com que nos brinda a Fundação Astrojildo Pereira, em continuidade à coleção Brasil e Itália. A apresentação de Maria Alice Rezende de Carvalho ajuda o leitor, não previamente ambientado com o pensamento de Werneck Vianna, a deslindar fios da meada por ele tecida em diálogos bem selecionados por Paula Martins Sales.
Gramsci não surgirá aqui citado em chave escolástica. Nem princípio nem fim de coisa alguma, seu pensamento, processado por Werneck, é práxis para entender o Brasil. Para entendê-lo como processo em pleno processo, desenrolar que mastiga e mastigará; rumina e ruminará referências teóricas primordiais que ajudam a decifrá-lo. Werneck põe-nas a dialogar com outras, temperando-as com sua inconfundível saliva política. Por isso – e apesar da aspereza de vários temas –, o livro é, além de nutritivo, gostoso de ler. Para quem gosta de política, é claro.

Paulo Fábio Dantas Neto
Professor da Universidade Federal da Bahia



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