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Trinta Anos Esta Noite: 1964, o que vi e vivi

Trinta Anos Esta Noite: 1964, o que vi e vivi

Paulo Francis

R$ 35,00

“Jorram aos Borbotões! Não consigo escrever com a velocidade que chegam”. Na cozinha da Reuters, tomando café antes da gravação do programa “Manhatan Connection”, Francis nos contava sobre a invasão de lembranças quando escrevia “Trinta Anos Esta Noite”. E não parava de contar histórias, uma puxava a outra, de sacanagem a prisão, e tentava anotar para não esquecer, mas não adiantava porque nem ele nem ninguém entendia o manuscrito. E dava gargalhadas, jorrou mesmo e esta é a impressão que se tem quando se lê o livro. Mesmo os tempos da prisão – 4 vezes, num total de quase um ano – depois desempregado e duro, tudo foi regurgitado e contado sem um ranço de amargura. Tinha pose de general, mas na prisão o apelido dele era Paulo de Orleans e Bragança, porque os outros 17 colegas achavam que ele era o mais acostumado a confortos e ofereceram a ele a única cama disponível na cela. Francis tinha 24 anos quando Getúlio morreu. Dizia que não gostava de política, mas conta que se engajou em 1961, aos 31 anos. Disparava de sua coluna na “Última Hora”. Getúlio Vargas é um dos temas centrais da primeira parte do livro e por meio dele Francis quer entender e explicar os avanços, atrasos políticos e econômicos do Brasil.

(…)

Na segunda metade do livro, o autor de “Cabeça de Negro” e “Cabeça de Papel” dá um mergulho na própria cabeça e vai fundo. Conta como em 64 se enfurnou na garçonnière de um amigo e devorou Freud, Ana Karenina, de Tolstói, e os diários de Samuel Peeps. Mexeu com a mobília lá em cima. E jorra uma mistura de marxismo, freudianismo, Raymond Radiguet, Pasquim, Enio da Silveira, sacanagem, tamanho do pinto do Sartre (era menino Jesus), o feminismo, a frieza e o tesão dele pela Simone de Beauvoir e o dela pelo escritor Nelson Algren, a vida no Rio, as praias.

Lucas Mendes Campos

 

Formato: 17cm x 24cm
Ano: 2009
Págs.: 304


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